Mais uma vez o ambiente se funde à sua frente. Agora, está seguindo uma estrada cujo conhecimento teórico possuía desde que tomou consciência de sua existência. Maturidade, estava escrito na plaquinha. Vacilou frente ao crescimento iminente e decidiu recuar ao ponto de partida.
Segurou a chave com as mãos trêmulas e quase não acertou o buraco da fechadura.
Abriu a porta. Depositou a chave em um canto qualquer e saiu à procura do alguém com quem havia conversado à pouco.
O tempo da procura parecia interminável. Não se tem conhecimento se o ambiente é que era grande ou se foi a ânsia pela conversa tolhendo-lhe a razão. Mas estava lá. Adormecida dentro de um armário velho e empoeirado, que creio nunca ter sido percebido antes. Sacudiu o corpo com veemência, como se através desse ato fosse obter alguma resposta. Recebeu um olhar sonolento seguido de um acesso de fúria inimaginável quando contrastado com a meiguice anterior.
- Você por um acaso esqueceu as últimas palavras que eu dirigi à sua pessoa??????????????????????????
- Mas é claro que não. E, inclusive, posso repeti-las uma à uma se for de sua vontad...
- Só pode ser brincadeir...
- "Vou tirar um cochilo e nem pense em me acordar para abri-la", foram exatamente essas suas palavras.
- Droga! Você parece meio burra mesmo, ou então fica aí se fazendo de besta pra me tirar do sério...
- Tá mais calma?
- NÃO! E é melhor você falar logo por que voltou! Não te esperava por aqui tão cedo... - baixou tanto a voz que é de se espantar que ela própria tenha se ouvido - E pra ser sincera, acho que já enjoei de você...
- Não ouvi o que falou por último, pode repetir?
- Ah! Nada não hehehe - disse elevando a mão à cabeça.
- Então... Eu voltei porque acho que tive uma espécie de Déjà vu ao sair. Peguei algumas estradas e acabei na Maturidade, mas tive medo... Lembrei de umas conversas com minha mãe e tals...
- Isso??
- Bem... Eh...
- Diga o que quer saber.
- Quando você disse que me castrou mas que na realidade só dependia de mim e que eu tava de férias... Quê quis dizer com isso?
- Pensei que tivesse entendido... Tá... Talvez eu tenha sido meio falsa com você. Talvez eu tenha abusado da sua ingenuidade para conquistar sua confiança. Talvez o meu objetivo fosse que você se tornasse uma pessoa como outra qualquer...
- Você mentiu?
- Na realidade eu não sei...
- Aquele lance de "o eterno só depende de você" era mentira?
- Aíííí!!!!!! Já disse que não sei caramba!!!! Talvez eu quisesse que fosse...
- Você queria me inserir no tédio desde tão cedo????
- Não! Eu só queria que você não sofresse mais! Pare de me por contra parede!
- Você acha justo o que pretendia fazer comigo? Não percebe que esse tédio te açoitaria tanto ou mais que o que você chamou de "intenso"?
- Acho que não tinha percebido assim...
- Que faço de mim agora?
- Não sei...
- Quando eu não precisava da sua opinião, logo se prontificou em se intrometer...
- É que eu não quero te confundir de novo. Com sinceridade, penso que você deveria crescer como todo ser humano faz, conscientemente, ou não.
- Você não entende que assim minha vida é transformada em um filme mudo e em preto e branco????
- Como à de todos??
- E quem disse que eu quero ser igual?
- Bem... Sempre te pegava pensando isso para ser aceita...
- Era mentira!!!!!!!!!!!!
- Tem certeza??
- Agora tenho.
- Hmmm...
- Me diz! Por favor! O que eu faço pra essa frieza parar de aumentar??? Preciso saber!! Não quero ser um adulto!! Quero continuar a ver as coisas como sempre vi! Quero continuar sendo criança até morrer, se for preciso! Quero o entusiasmo infantil! Quero a ansiedade! Quero!
- E agora você diz isso...
Chorou durante horas. Uma frente à outra. A escassez das palavras ocorreu automaticamente. E o silêncio findou sua cólera levando-a de volta à realidade. Ou não.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
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